quarta-feira, setembro 27, 2017

Caminho de volta

Foram muitos dias, muitos quilômetros, muita pimenta, muuuuuito cominho, muitas surpresas, muitos deslumbramentos! Mas, como tudo o que é bom dura pouco, chegou a hora de voltar...

A caminho do aeroporto, Ana ainda fotografou uma última cena local:

Tchau, Kathmandu!

No aeroporto, um princípio de caos: muita gente pra pouco espaço. Pouca informação pra muitas dúvidas.

Cansadas de esperar...

Como N. S. do Aeroporto sempre ajuda turistas fiéis, conseguimos vencer a desorganização e a desinformação e embarcamos a tempo para nossa viagem de volta a Delhi.

Embarcando

Embarcadas

Voando!

Na chegada, a surpresa boa: nosso querido motorista Ajay nos esperava para nos levar ao Ashok Country Resort.

Como essa última noite não estava contemplada no programa da Indovision, escolhemos um hotel com precinho camarada, nas imediações do aeroporto. 

O Ashok, devo dizer, não era nenhuma Brastemp, mas cumpriu seu papel. Apesar das acomodações simples, pudemos curtir as dálias multicores do belo jardim do hotel, o voo do pavão que morava por ali e ainda uma laranjeira com pequenas kinkans.


Foto: Ana Oliveira

Foi ainda lá, que provamos as últimas iguarias indianas, com destaque para o famoso jalebi. Quem viu o filme Lion, sabe do que estou falando... E pra quem não viu, fica aí a foto feita pela Ana.

Jalebi

No dia seguinte, 14 de fevereiro, conduzidas pelo nosso chauffeur predileto, retornamos ao aeroporto. Hora da despedida!

A penúltima selfie indiana. Tchau Ajay!

A última selfie indiana. Tachau Índia!

O voo pelas asas da Air India foi tranquilo,  loooongo e regado a refrigerante local.

Foto: Ana Oliveira

Algumas horas a mais e alguns fusos horários a menos e...aterrissamos em Milão, para nossa última noite juntas, no Ibis Milano Malpensa Aeroporto.


Pra quem perdeu algum capítulo dessa novela, aí estão todos os posts:

terça-feira, agosto 29, 2017

Pashupatinath

Foto: Ana Oliveira

O rio Bagmati está para os nepaleses assim como o Ganges está para os indianos.

Às suas margens está o Templo de Pashupatinath dedicado a Shiva, um dos mais importantes do mundo hindu, centro mundial de peregrinações dos fiéis do hinduísmo e acessível somente a eles.


Foto: Ana Oliveira

O santuário está construído na margem direita do Bagmati, cercado de outras edificações religiosas, incluindo ghats para banhos e cremações.


Fotos: Ana Oliveira

Aos visitantes só é permitida a circulação pela margem esquerda do rio. Ali, além de turistas, se concentram algumas pessoas místicas e religiosas que organizam seus espaços para meditação, curas e agradecimentos.


Da margem esquerda é possível  acompanhar as cerimônias de cremação que são feitas do outro lado do rio. O corpo da pessoa falecida é colocado sobre uma espécie de maca de bambu trançado, enrolado em um lençol branco. Depois é colocado sobre uma pilha de madeira em forma de cama, coberto com panos coloridos de amarelo e vermelho, típicos do lugar. Por último, colocam palha de arroz para amenizar os odores, já que, ao contrário das cremações na Índia, não usam sândalo. O filho mais velho do morto coloca fogo na madeira e a família faz suas orações enquanto o cadáver é queimado. Fotografamos e filmamos, mas como tenho dúvida sobre a propriedade de expor esse momento íntimo da família, deixo apenas fotos gerais do ritual.

Foto: Ana Oliveira

Foto: Ana Oliveira

Ainda na margem esquerda do Bagmati, há 18 pequenos santuários construídos em sequência, todos com a linga de Shiva.

Foto: Ana Oliveira

Linga? Sim! É a representação de Shiva usada para orações nos templos hindus. É visto como um símbolo de energia e potência da divindade. Olhaí a sequência de lingas na foto abaixo, começando com uma pintada em vermelho.

Foto: Ana Oliveira

Na última dessas pequenas capelas, encontramos um grupo de "santos".  São os sadhus, monges andarilhos que renunciam aos bens materiais e se dedicam somente a práticas espirituais. Esses santos, entretanto, não eram lá muito rígidos na questão do desapego: pediram uma contribuição para posar para fotos e, ao saber que éramos brasileiras, propuseram que fizéssemos câmbio de uma doação que haviam recebido em reais. Fizemos a troca, eram apenas 10 reais... Sacanagem de algum conterrâneo com os homens santos! o_O

Fotos: Ana Oliveira

Terminada nossa visita ao Pashupatinath, seguimos para Baktapur. Em seguida, como sobrou um tempinho, repetimos o passeio a nossa queridinha Boudhanath, dessa vez por nossa conta e risco. O guia nos deixou lá e voltamos de táxi numa longa viagem proporcionada pelo conturbado trânsito de Kathmandu no final do dia.

Finalizamos assim o nosso segundo dia de aventuras pela cidade. Para o dia seguinte, tivemos a manhã livre para explorar o entorno do hotel e preparar as malas para a viagem de volta.

Foto: Ana Oliveira

Aproveitamos para visitar o supermercado que havia por ali, compramos umas e outras coisinhas e, no horário marcado, estávamos a postos para o translado para o aeroporto.

Volte qualquer dia desses, logo mais conto como foi a volta.

segunda-feira, julho 31, 2017

Bhaktapur Durbar Square


Durbar Square em Bhaktapur
Foto: Ana Oliveira

A terceira e última Durbar Square (praça do reinado) que visitamos foi a de Bhaktapur. O conjunto sofreu bastante com o terremoto de 2015 e,  além disso, já carregava danos de um terremoto anterior, em 1934. 

Bhaktapur foi capital do Nepal entre os séculos XII e XV e, após a morte do rei Jayayakshya Malla e a divisão do reino entre seus filhos, foi um dos centros do reinado.

O complexo é formado por quatro praças principais e um emaranhado de ruelas coalhadas de estabelecimentos formais e informais que comercializam toda a sorte de produtos.

Pelas ruas de Bhaktapur

Comércio e obras em Bhaktapur

Começamos a visita pela entrada leste. Ali nosso guia Paras adquiriu as entradas em forma de crachás e seguimos adiante.

Foto: Ana Oliveira

Caminhando pela Suryamadhi, uma rua que nos levaria até o templo hindu Wakupati Narayan, já pudemos observar algo que confirmamos durante o restante do passeio: os homens de Bhaktapur preferem  "sombra e água fresca".


Nosso primeiro espanto foi para os leões e as colunas que guardam o Wakupati Narayan Mandir.



Foto: Ana Oliveira

A poucos passos dali, encontra-se primeira das quatro praças principais de Bhaktapur, a Praça Dattatraya, a mais antiga da cidade.

Praça Dattatraya e seu templo

A praça abriga entre outros monumentos o Templo de Dattatraya – uma divindade híbrida que junta elementos de Brahma, Vishnu e Shiva. O templo, que data do início do século XV, é também considerado o mais antigo de Bhaktapur.

Templo Dattatraya
Foto: Ana Oliveira

Entalhes em madeira são a marca registrada dessa praça e de todo o conjunto arquitetônico de Bhaktapur. Exemplo dessa arte é a detalhadíssima janela do pavão real que vimos por ali.

Pavão real entalhado em janela na Praça Dattatraya
Foto: Ana Oliveira

Deixamos a Praça Dattatraya caminhando por ruelas que nos levariam a outra importante praça que forma o conjunto de Bhaktapur: a Taumadhi. Nesse caminho, tivemos a confirmação de que a força de trabalho por ali é mesmo feminina.

Enquanto elas trabalham, eles observam...
Fotos: Ana Oliveira

No pequeno clipe que Ana fez, dá pra ver bem como está sendo feita a reconstrução da cidade, pelo trabalho sincronizado realizado pelas mãos das mulheres dali. Olhaí:



A Praça Taumadhi nos trouxe mais e mais deslumbramentos. 

Logo à chegada, o belo Templo de Bhairabnath.


Foto: Ana Oliveira

Ao lado, imponente, o Nyatapola Temple. Olha a gente lá!

Nyatapola Temple

Por ali fica o Cafe D' Traditional Restaurant, e foi no seu rooftop que almoçamos, com vista para os monumentos de Bhaktapur.

Teve vista, cerveja e comida local

Alimentadas, desviamos um tantinho da rota para visitar a a Pottery Square, mais uma das praças do lugar, tradicional reduto de artesãos:

Fotos: Ana Oliveira

Por fim, retomamos o caminho para o auge da visita: a Durbar Square de Bhaktapur, considerada pela UNESCO como Patrimônio Mundial.

É na praça real, justamente, que está o Pachpanna Jhyale Durbar, mais conhecido como Palácio das 55 janelas.

Algumas das 55 janelas esculpidas em madeira no palácio real
Foto: Ana Oliveira

Pachpanna Jhyale Durbar foi construído no século XV pelo rei Yaksha Malla e remodelado no século XVII pelo rei Bhupatindra Malla, que ainda hoje vela o palácio do alto de uma coluna erguida em frente ao  Vatsala Durga Temple, em atitude de adoração.

Estátua do rei Bhupatindra Malla na Durbar Square de Bhaktapur
Foto: Ana Oliveira

Parte do antigo palácio real funciona hoje como Museu Nacional. Sua entrada é guardada por leões ladeados por algumas esculturas: 

Ugrabhairab e Ugrachandi, acima. Vishnu, ao lado do leão.
Fotos: Ana Oliveira

Ugrabhairab e Ugrachandi são imagens de Shiva e sua esposa Parvati em manifestação ameaçadora. As esculturas são do início do século XVIII e conta a lenda que seu criador teve as mãos cortadas logo após o término do trabalho, para evitar a duplicação das obras. 

O acesso aos jardim do Palácio das 55 Janelas é feito através da Lu Dhowka, uma porta dourada construída a pedido do rei Ranjit Malla e encravada ali como uma joia com seus adornos de ouro contra o céu azul.

Lu Dhowka, a porta de ouro.

Cruzamos a porta de ouro e, por um caminho discreto e quase labiríntico, chegamos à Naga Pokhari, a piscina real construída no final do século XVII, sob o comando do rei Jitamitra Malla, escavada em pedra e adornada com divindades em forma de serpentes, as Nagas.

Naga Pokhari
Fotos: Ana Oliveira

As últimas imagens que temos da visita à Durbar Square de Bhaktapur são do templo hindu Pashupatinath, com algumas imagens eróticas escavadas na madeira que sustenta sua estrutura. Bela forma de encerrar um tour, não acham?

Pashupatinath Temple
Foto: Ana Oliveira

Fica aí um mapa de Bhaktapur pra quem quiser seguir nossos caminhos:

Esse mapa é um gentil oferecimento de:
http://www.joaoleitao.com/viagens/2012/03/09/mapa-bhaktapur-nepal/

sábado, julho 01, 2017

Patan Durbar Square

Pra quem ainda não leu (ou esqueceu) o capítulo anterior, faço um resumo rápido:

No século XV, quando morreu o Rei Jayayakshya Malla, o poder passou para seus seis filhos. Eles tentaram se entender para governar juntos o Vale de Kathmandu, mas a coisa não rolou e o reinado acabou dividido em  três: Kathmandu, Patan e Bhaktapur.

Cada um dos novos reinados teve seu palácio, com sua cota de templos e pagodes ao redor, originando três belas Durbar Square.

Hoje mostro um pouco do que vimos na visita à Patan Durbar Square, que também sofreu bastante com o terremoto de abril de 2015. Restauração e reconstrução são as palavras de ordem por ali!

Patan Durbar Square
Vishwanath Temple e Char Narayan Temple
Foto: Ana Oliveira
Patan está no centro de Lalitpur, que é uma das cidades que compõem o Vale de Kathmandu. Apesar de ser uma outra cidade, a gente nem percebe, é tudo muito pertinho. Levamos cerca de meia hora de carro entre as praças de Kathmandu e de Lalitpur, mesmo com o trânsito pesado que há por ali.

De posse dos nossos ingressos/crachás, caminhamos em direção ao primeiro monumento que se avista logo à entrada, o Templo de Krishna.

 Krishna Temple
Foto: Ana Oliveira
Adiante, semidestruídos pelo terremoto, os templos Vishwanath, dedicado a Shiva e Char Narayan, dedicado a Lord Vishnu, sob o olhar da estátua dourada de Garuda, o veículo de Vishnu.

Garuda, a montaria de Lord Vishnu
Foto: Ana Oliveira
Veículo, montaria... quequéisso? Pois então, é isso mesmo que o nome diz: o meio de locomoção usado por cada uma das divindades. Geralmente é um animal. Simplesinhos esses deuses, não usavam nada de carros luxuosos, jatinhos de propriedade desconhecida, helicópteros cheios de pó... ops! 😝 

Char Narayan Temple
Foto: Ana Oliveira
A Durbar Square de Patan é um verdadeiro centro de belas artes e a cada passo revela uma surpresa para os olhos do turista atento. É uma estátua aqui, um museu ali, um templo acolá... uma festa!

Templo dedicado a Taleju  Bhawahi, a divindade particular dos reis da dinastia Malla
Passamos em frente ao palácio real, mas deixamos pra visitá-lo mais tarde e seguimos para uma das grandes atrações de Patan, o Hiranya Varna Mahabihar, também conhecido como Templo de Ouro.

Hiranya Varna Mahabihar
Foto: Ana Oliveira

Templo de Ouro
Foto: Ana Oliveira
O templo é enorme, de forma quadrangular, com uma galeria um pouco mais elevada que circunda todo o espaço. O centro, num nível pouco mais baixo, exibe incontáveis imagens douradas.

No Templo de Ouro
Fotos: Ana Oliveira

Imagens no Templo de Ouro

Ali, uma senhorinha se entretinha em produzir pequenas velas de azeite e vendê-las a quem quisesse oferecer uma chama às divindades do templo.

Foto: Ana Oliveira

Ana e eu acendemos nossas velinhas, pedindo a proteção dos deuses.


Ato contínuo, seguindo o guia, enveredamos por uma ruela que saía da praça, rumo ao local onde ele nos prometera uma sessão de relaxamento. 

Foto: Ana Oliveira

Tudo não passava, na verdade, de um estratagema para nos levar a uma loja de objetos tibetanos, onde fomos apresentadas aos sinos tibetanos budistas, aqueles em forma de tigelas de cobre, que vibram ao serem estimulados com um bastão e que, geralmente, são usados para marcar o início e o final de um período de meditação. 


Ali, entretanto, havia sinos enormes que, segundo nos disseram e demonstraram, eram usados para fins terapêuticos, 

Vilma e eu participamos das experiências, submetendo-nos a terapias para dor de cabeça e males nas costas. Olha nós duas aí, em plena sessão de relaxamento:

Foto: Ana Oliveira

Foto: Ana Oliveira

Foi uma experiência interessante, mas não se assustem, não saímos de lá como proprietárias de nenhum daqueles imensos sinos. Na verdade, já tínhamos os nossos, pequenos, comprados próximo à estupa Dhamekh, em Varanasi.

Devidamente relaxadas, voltamos à Durbar Square para, finalmente, entrar nos domínios do palácio real. Nosso foco foi no Keshav Narayan Chowk, uma das três alas do palácio, que abriga o Patan Museum e cuja porta principal, dourada e luxuosamente trabalhada, escapou às nossas lentes. 😥

Do lado de fora, sentadas junto à parede, algumas pessoas locais observavam o movimento, numa plácida versão tibetana de people watching.

Do lado de dentro, todo o esplendor da residência real.

Fotos: Ana Oliveira


Keshav Narayan Temple
Foto: Ana Oliveira

Nas oito galerias do museu, distribuídas em três pavimentos, estão expostas esculturas hindus e budistas, algumas criadas no próprio Vale de Kathmandu e outras originárias da Índia, Tibet e Himalayas. 

Dentre as mais de duzentas esculturas que constituem o acervo, escolho quatro para mostrar o que é que se vê por lá:

 deus Hevajra com  4 faces e 16 mãos.
Foto: Ana Oliveira

Hamoghasiddhi(em sânscrito, "poder infalível").
O 5° Buda Dhyani (Budas da Meditação). 
Representa a realização prática da sabedoria
 dos outros quatro Budas Dhyani.
Foto: Ana Oliveira

Yama, deus da morte e rei da lei, e sua esposa,
montados em seu veículo, um búfalo.
Foto: Ana Oliveira

Vajrasattva, o 6º Buda e Prajña, sua esposa.
Foto: Ana Oliveira

A título de ilustração e para ajudar na geolocalização, deixo esse mapinha da Patan Durbar Square que achei aí pelas internets da vida, já não me lembro onde...


Resumindo nosso primeiro dia turistando pelo Vale de Kathmandu:

  • Acordamos com um lindo nascer do sol diante da nossa janela:
Foto: Ana Oliveira
  • Seguimos para a primeira estupa do dia: Swayambhunath;
  • Visitamos a Kathmandu Durbar Square, com direito a avistar a deusa viva;
  • Em seguida fomos à Patan Durbar Square que vocês acabam de conhecer;
  • Almoçamos à margem da Boudhanat e exploramos cada palmo do seu entorno;
  • Voltamos ao hotel a tempo de ver o nascer da lua cheia.
Foto: Ana Oliveira

Como diz meu pai: "Turismo é ação!"