sábado, julho 01, 2017

Patan Durbar Square

Pra quem ainda não leu (ou esqueceu) o capítulo anterior, faço um resumo rápido:

No século XV, quando morreu o Rei Jayayakshya Malla, o poder passou para seus seis filhos. Eles tentaram se entender para governar juntos o Vale de Kathmandu, mas a coisa não rolou e o reinado acabou dividido em  três: Kathmandu, Patan e Bhaktapur.

Cada um dos novos reinados teve seu palácio, com sua cota de templos e pagodes ao redor, originando três belas Durbar Square.

Hoje mostro um pouco do que vimos na visita à Patan Durbar Square, que também sofreu bastante com o terremoto de abril de 2015. Restauração e reconstrução são as palavras de ordem por ali!

Patan Durbar Square
Vishwanath Temple e Char Narayan Temple
Foto: Ana Oliveira
Patan está no centro de Lalitpur, que é uma das cidades que compõem o Vale de Kathmandu. Apesar de ser uma outra cidade, a gente nem percebe, é tudo muito pertinho. Levamos cerca de meia hora de carro entre as praças de Kathmandu e de Lalitpur, mesmo com o trânsito pesado que há por ali.

De posse dos nossos ingressos/crachás, caminhamos em direção ao primeiro monumento que se avista logo à entrada, o Templo de Krishna.

 Krishna Temple
Foto: Ana Oliveira
Adiante, semidestruídos pelo terremoto, os templos Vishwanath, dedicado a Shiva e Char Narayan, dedicado a Lord Vishnu, sob o olhar da estátua dourada de Garuda, o veículo de Vishnu.

Garuda, a montaria de Lord Vishnu
Foto: Ana Oliveira
Veículo, montaria... quequéisso? Pois então, é isso mesmo que o nome diz: o meio de locomoção usado por cada uma das divindades. Geralmente é um animal. Simplesinhos esses deuses, não usavam nada de carros luxuosos, jatinhos de propriedade desconhecida, helicópteros cheios de pó... ops! 😝 

Char Narayan Temple
Foto: Ana Oliveira
A Durbar Square de Patan é um verdadeiro centro de belas artes e a cada passo revela uma surpresa para os olhos do turista atento. É uma estátua aqui, um museu ali, um templo acolá... uma festa!

Templo dedicado a Taleju  Bhawahi, a divindade particular dos reis da dinastia Malla
Passamos em frente ao palácio real, mas deixamos pra visitá-lo mais tarde e seguimos para uma das grandes atrações de Patan, o Hiranya Varna Mahabihar, também conhecido como Templo de Ouro.

Hiranya Varna Mahabihar
Foto: Ana Oliveira

Templo de Ouro
Foto: Ana Oliveira
O templo é enorme, de forma quadrangular, com uma galeria um pouco mais elevada que circunda todo o espaço. O centro, num nível pouco mais baixo, exibe incontáveis imagens douradas.

No Templo de Ouro
Fotos: Ana Oliveira

Imagens no Templo de Ouro

Ali, uma senhorinha se entretinha em produzir pequenas velas de azeite e vendê-las a quem quisesse oferecer uma chama às divindades do templo.

Foto: Ana Oliveira

Ana e eu acendemos nossas velinhas, pedindo a proteção dos deuses.


Ato contínuo, seguindo o guia, enveredamos por uma ruela que saía da praça, rumo ao local onde ele nos prometera uma sessão de relaxamento. 

Foto: Ana Oliveira

Tudo não passava, na verdade, de um estratagema para nos levar a uma loja de objetos tibetanos, onde fomos apresentadas aos sinos tibetanos budistas, aqueles em forma de tigelas de cobre, que vibram ao serem estimulados com um bastão e que, geralmente, são usados para marcar o início e o final de um período de meditação. 


Ali, entretanto, havia sinos enormes que, segundo nos disseram e demonstraram, eram usados para fins terapêuticos, 

Vilma e eu participamos das experiências, submetendo-nos a terapias para dor de cabeça e males nas costas. Olha nós duas aí, em plena sessão de relaxamento:

Foto: Ana Oliveira

Foto: Ana Oliveira

Foi uma experiência interessante, mas não se assustem, não saímos de lá como proprietárias de nenhum daqueles imensos sinos. Na verdade, já tínhamos os nossos, pequenos, comprados próximo à estupa Dhamekh, em Varanasi.

Devidamente relaxadas, voltamos à Durbar Square para, finalmente, entrar nos domínios do palácio real. Nosso foco foi no Keshav Narayan Chowk, uma das três alas do palácio, que abriga o Patan Museum e cuja porta principal, dourada e luxuosamente trabalhada, escapou às nossas lentes. 😥

Do lado de fora, sentadas junto à parede, algumas pessoas locais observavam o movimento, numa plácida versão tibetana de people watching.

Do lado de dentro, todo o esplendor da residência real.

Fotos: Ana Oliveira


Keshav Narayan Temple
Foto: Ana Oliveira

Nas oito galerias do museu, distribuídas em três pavimentos, estão expostas esculturas hindus e budistas, algumas criadas no próprio Vale de Kathmandu e outras originárias da Índia, Tibet e Himalayas. 

Dentre as mais de duzentas esculturas que constituem o acervo, escolho quatro para mostrar o que é que se vê por lá:

 deus Hevajra com  4 faces e 16 mãos.
Foto: Ana Oliveira

Hamoghasiddhi(em sânscrito, "poder infalível").
O 5° Buda Dhyani (Budas da Meditação). 
Representa a realização prática da sabedoria
 dos outros quatro Budas Dhyani.
Foto: Ana Oliveira

Yama, deus da morte e rei da lei, e sua esposa,
montados em seu veículo, um búfalo.
Foto: Ana Oliveira

Vajrasattva, o 6º Buda e Prajña, sua esposa.
Foto: Ana Oliveira

A título de ilustração e para ajudar na geolocalização, deixo esse mapinha da Patan Durbar Square que achei aí pelas internets da vida, já não me lembro onde...


Resumindo nosso primeiro dia turistando pelo Vale de Kathmandu:

  • Acordamos com um lindo nascer do sol diante da nossa janela:
Foto: Ana Oliveira
  • Seguimos para a primeira estupa do dia: Swayambhunath;
  • Visitamos a Kathmandu Durbar Square, com direito a avistar a deusa viva;
  • Em seguida fomos à Patan Durbar Square que vocês acabam de conhecer;
  • Almoçamos à margem da Boudhanat e exploramos cada palmo do seu entorno;
  • Voltamos ao hotel a tempo de ver o nascer da lua cheia.
Foto: Ana Oliveira

Como diz meu pai: "Turismo é ação!"

terça-feira, junho 13, 2017

Kathmandu Durbar Square

A dinastia Malla reinou no Nepal durante quase 600 anos, entre os séculos XIII e XVIII. No final do século XV, com a morte do Rei Jayayakshya Malla, o poder passou para seus seis filhos, que inicialmente governaram em forma de colegiado. 

Nem é preciso dizer que esse governo conjunto não deu certo e logo logo os mais espertos foram deixando os outros pra escanteio e, entre tapas e beijos, o centro do reinado acabou dividido em  três: Kathmandu, Patan e Bhaktapur.

A rivalidade entre os novos reinados causou inúmeros conflitos, mas também proporcionou um período de ouro ao país, já que os três reinos buscavam se superar em termos de arquitetura e arte.

Assim, não foi à toa que a UNESCO declarou o vale de Kathmandu como Patrimônio Mundial da Humanidade. O lugar é um verdadeiro museu ao ar livre, com templos e pagodes construídos ao redor dos palácios: as Durbar Square.

Visitamos as três magníficas Durbar Square, uma mais encantadora que a outra. Difícil eleger a favorita.

Começamos pela Kathmandu Durbar Square.

Khatmandu Durbar Square
Foto: Ana Oliveira

Nosso espanto começou mesmo antes de chegar ao espaço da praça propriamente dita. Vínhamos da visita à estupa Swayambhunath, o carro nos deixou num ponto próximo à entrada e, no caminho, já topamos com o belo Bhimsen Temple.

Bhimsen Temple
Foto: Ana Oliveira

Em seguida, cenas do cotidiano:


Foto: Ana Oliveira

Foto: Ana Oliveira

Pratos usados para oferendas

Poucos minutos depois, já tínhamos nossas credenciais de turistas para visitar o complexo.


Foto: Ana Oliveira

Em pleno terreno palaciano, nos dirigimos para o Kumari-ghar, o palácio da Deusa Vivente.



Ali reside a Kumari (= virgem), uma deusa menina que se acredita ser a reencarnação da deusa Taleju. 

A Kumari é selecionada no clã Shakya, em idade bastante precoce – entre 4 e 5 anos – e tem que atender a vários requisitos, como: dentes perfeitos, cabelos e olhos escuros, voz clara.

Uma Kumari perde sua divindade quando tem a sua primeira menstruação ou quando sofre algum acidente com perda de sangue. Quando isso acontece, a Kumari tem que renunciar formalmente ao título e é dada a largada para a escolha de uma nova deusa viva.

Ser escolhida como Kumari é um privilégio que custa caro às meninas. Elas têm sua vida afastada de tudo o que é normal para uma garota de sua idade: não podem ir à escola, só se comunicam com um número restrito de pessoas, só saem à rua para os festivais religiosos. 

Transporte usado pela Kumari para sair às ruas em dias de festa
Foto: Ana Oliveira

Dentre as tarefas da Kumari, está a de aparecer de quando em quando numa das janelas de seu palácio e abençoar os presentes. Diz a lenda que quem tem o privilégio de estar ali na hora da aparição da deusa terá sorte pra sempre. Nós tivemos essa honraria!

A Kumari aparece naquela janela central
Foto: Ana Oliveira

Não é permitido fotografar a menina deusa. No momento em que estávamos lá, ela fez menção de aparecer em sua janela e voltou rapidamente para dentro quando viu uma pessoa usando sua câmera fotográfica. Só voltou depois que a turista fotógrafa foi advertida e guardou suas lentes.

Bem, ao contrário do que se possa pensar, a turista indisciplinada não era nenhuma de nós quatro, por isso só temos registro da nossa protetora nesse postal que compramos por lá:


Duplamente sortudas – sim, pois nessa mesma manhã Vilma tinha encaçapado uma moeda no pote da sorte do Buda, a caminho da estupa Swayambhunath – saímos do  Kumari-ghar para flanar entre os monumentos da Durbar Square de Kathmandu. 

Esse conjunto é também conhecido pelo nome de Hanuman-dhoka Durbar Square, desde que, em 1672, o então rei Pratap Malla fez colocar uma estátua de Hanuman na entrada do palácio real. 


Foto: Ana Oliveira

Com o terremoto de abril de 2015, as milenares construções de Kathmandu sofreram muito e grande parte delas está em estado precário, mas nem por isso menos impressionante.

Vai aí um pouco do que vimos por lá naquela manhã de sábado:

Kal Bhairav: imagem de pedra onde Shiva
 é representado em uma manifestação destrutiva.
Usada para fazer juramentos pela verdade.

Panchamukhi Hanuman Temple

Parte do palácio Basantapur
Foto: Ana Oliveira

Mahadev Temple South
Foto: Ana Oliveira

Maju Dega Temple
Foto: Ana Oliveira

No telhado do Kumari-ghar
Foto: Ana Oliveira

Um dos guardiães do Hanuman Dhoka Palace
Foto: Ana Oliveira

Tago Gan
O sino soa sempre que há adoração no Degutaleju Temple
Voltem, logo mais contarei da visita aos outros domínios dos irmãos Malla.

domingo, maio 28, 2017

Boudhanath


Eu já confessei aqui que nunca tinha sequer ouvido a palavra estupa, até que vi a primeira delas, a Dhamekh, em Varanasi, na Índia.

No Nepal, veio a segunda estupa da viagem, a antiquíssima Swayambhunath.

Ambas belas e surpreendentes, mas...

... a estupa que fez meus olhos brilharem, meu coração bater mais forte e que ficou gravada na minha memória, foi a Boudhanath, a última que visitamos em Kathmandu. Olha que lindeza!

Foto: Ana Oliveira

Para chegar a ela, cruzamos a cidade enfrentamos um trânsito caótico (que novidade!)  somado a vias em manutenção, ruas interrompidas... um revés atrás de outro. 

Mas todo esse perrengue foi generosamente recompensado quando, depois de passar pelo guichê de pagamento das entradas e percorrer uma curta e estreita rua, tivemos a primeira visão, em toda a sua magnificência, daquela que é considerada uma das maiores estupas do mundo. 

A primeira visão da Boudhanath

Chegamos ali no início da tarde e, nosso primeiro movimento foi subir ao Boudha Stupa Restaurant & Cafe para um almoço tardio, de frente para a bonitona que, em 1979, foi alçada à categoria de Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO.

Olha lá o pátio do Boudha Stupa Restaurant & Cafe

Depois de alguns duelos com o guia, o dono do local e outros clientes (chegamos tarde, né?), conseguimos nossa mesa em lugar privilegiadíssimo. E foi contemplando todo o entorno, debaixo de providenciais guardassois, que tivemos o nosso primeiro almoço de verdade no Nepal.

A vista fenomenal das nossas mesas no Boudha Stupa Restaurant

Conquistados os melhores lugares do restaurante, partimos para os pedidos. Começamos com uma porção de momos, uns pasteizinhos recheados, feitos no vapor, parecidos com os guiozas da culinária japonesa. Escolhemos os recheados com vegetais.

Momos vegetarianos

Ana e eu aceitamos a sugestão do guia e pedimos o Typical Nepali Vegetarian Thali, que tem arroz, curry de vegetais, lentilhas, salada e coalhada, além de pappad - um pão local de massa fininha bem tostada.


Comida nepalesa e vista bonita... o que mais a gente poderia querer? Só mesmo uma foto pra guardar a lembrança desse momento feliz!


Alimentadas e fotografadas, pusemos o pé na estrada, ou melhor no terreno sagrado, para explorar o lugar.

Tampa de bueiro no entorno da Boudhanath
Foto: Ana Oliveira

Nas proximidades dali vivem os refugiados tibetanos que chegaram ao Nepal foragidos da invasão chinesa da década de 50.

Essa estupa é formada de uma alta torre dourada, quadrangular, com os olhos de Buda nos quatro lados, assentada sobre um domo branco, que, por sua vez, está construído sobre uma plataforma também branca de vários níveis, tendo ao seu redor e em suas imediações,  casas, lojas e monastérios: um mundo diferente e novo para nós!

Subimos à plataforma e fomos recebidas por dois elefantes montados por divindades budistas.

Boas vindas!

Rodeamos o domo, observando tudo e todos. Ana fez os dois clipezinhos pra gente nunca esquecer dos sons e movimentos que ouvimos e vimos por lá:






De volta à calçada, demos a volta completa na praça, obedecendo a tradição de percorrer o caminho no sentido dos ponteiros do relógio. Entramos em todas, eu disse todas, as lojinhas, incluindo algumas das ruazinhas que saíam da praça.

Observamos o povo, as rodas de oração, os monastérios, as bandeirinhas coloridas, as estupas menores, tudo!

Foto: Ana Oliveira



Uma das estupas menores
Foto: Ana Oliveira

Chamou-nos a atenção a quantidade de monges budistas que circulam por ali. Pudera, vejam quantos monastérios existem naquelas redondezas:

Foto gentilmente roubada da internet...

Na praça que margeia a estupa,  se destaca o enorme sino do Thrangu Tashi Choling Monastery...

Foto: Ana Oliveira

... seu belo telhado contrastando com  céu azul...

Foto Ana Oliveira

... e a enorme roda de oração em torno da qual fiéis e turistas se misturam. Olha nós aí:


Boudhanath  nos  marcou  tanto, que  no  dia seguinte, quando  terminamos  as  visitas  programadas, pedimos a ao guia que nos levasse  outra vez até lá.  

Fomos e tivemos agradáveis momentos, revisitando tudo e observando as pessoas que cumpriam seus rituais naquele local sagrado.